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PISA 2025: Portugal desce na leitura, e o que fiz em casa

Li os números do PISA 2025 duas vezes: uma como pai, outra como quem escreve sobre escola. Na primeira leitura dá vontade de fazer alarme, na segunda dá vontade de encolher os ombros. Nenhuma das duas serve para nada. Por isso fui ver o que é que estes 15 pontos a menos na leitura mudam, concretamente, na minha cozinha.

Os números do PISA 2025, e o que eles dizem mesmo

O relatório nacional do PISA 2025 foi publicado a 8 de setembro de 2026, no site da EduQA, com os destaques e uma infografia ao lado.

Portugal ficou com 462 pontos em leitura, 460 em matemática e 482 em ciências. Em relação ao ciclo de 2022, são 15 pontos a menos na leitura e 12 a menos na matemática.

Em ciências a diferença foi de três pontos, e a OCDE assinala que não é estatisticamente significativa. Traduzido: em ciências ficámos onde estávamos.

A descida também não é só nossa. No mesmo intervalo, a média da OCDE perdeu 14 pontos na leitura e 9 na matemática, e em 2025 fixou-se em 461 pontos na leitura, 463 na matemática e 482 nas ciências. Portugal continua ao nível dessa média, depois de ter caído com ela.

Convém saber de quantas pessoas falamos: 6945 alunos de 225 escolas, num estudo com 91 países e economias. É uma amostra de alunos de 15 anos, não um exame nacional, e nenhuma escola recebeu uma nota.

O que o PISA mede aos 15 anos, e o que não mede

O PISA avalia alunos de 15 anos, de três em três anos, e não está colado ao programa de nenhum país. Pergunta o que o aluno faz com o que sabe: interpretar um texto que nunca viu, tirar uma conclusão de um gráfico, decidir se uma afirmação se sustenta.

Em 2025 o domínio principal foram as ciências, e o estudo acrescentou um domínio inovador, a Aprendizagem no Mundo Digital, que olha para a forma como os alunos constroem conhecimento e resolvem problemas com ferramentas digitais.

O que o PISA não mede é o seu filho. Não mede a escola dele, não mede o 1.º ciclo, não mede nada do que aconteceu no ano passado numa turma concreta. Mede um país, com margem de erro, num punhado de domínios.

Isso não torna os 15 pontos irrelevantes, mas muda a pergunta certa. Um país que perde 15 pontos na leitura não tem um problema com um aluno. Tem um problema com um hábito, e um hábito é uma coisa que se discute em casa.

Porque é a leitura o sítio onde uma família consegue mexer

Dos três domínios, a leitura é o único onde eu, em casa, sem ser professor de nada, consigo mudar o número de horas de prática por semana.

Não é teoria, é aritmética. Vinte minutos por dia dão mais de duas horas por semana. Nenhuma família acrescenta duas horas de matemática por semana sem entrar em guerra. Com a leitura consegue, porque ler já é uma coisa que se faz no sofá.

E a leitura não fica na disciplina de Português. Um enunciado de matemática é um texto. Uma pergunta de ciências é um texto. Quando o meu filho falha um problema, metade das vezes não falhou a conta, falhou em ler o que lhe pediram. Não tenho estudo nenhum para provar isto, tenho seis meses de cadernos em cima da mesa.

A descida da leitura no PISA não me diz o que se passa com ele. Diz-me onde é que vale a pena gastar o esforço que tenho, que é pouco e acaba às dez da noite.

Três coisas que mudei em casa, e a que não resultou

1. Quinze minutos em voz alta, sempre à mesma hora

Todos os dias, depois do jantar, antes dos ecrãs. A hora fixa é a parte que faz a diferença, porque deixa de ser negociável todas as noites. Escrevi a versão longa em a minha rotina da noite.

2. Uma pergunta em vez de um resumo

Deixei de perguntar «de que é que falava o capítulo». Passei a pedir uma frase: «mostra-me onde é que o livro diz isso». Procurar a prova dentro do texto é um trabalho diferente de resumir, e é uma pergunta de dez segundos.

3. Ele escolhe o livro

Banda desenhada conta. Revista de futebol conta. O volume de leitura veio da liberdade de escolha, não do meu bom gosto, e foi a mudança que custou menos e deu mais.

A que não resultou

Fichas de compreensão ao fim de semana, impressas por mim, com perguntas depois de cada capítulo. Durou três semanas. Transformei o serão em aula e perdi as duas coisas. Para ver o que ficou da semana funciona melhor uma conversa curta, e essa ficou ao sábado: a minha rotina do fim de semana.

O que não vale a pena fazer depois de um resultado destes

Não vale a pena ligar à escola a pedir explicações. A escola do seu filho não recebeu resultado nenhum do PISA e pode muito bem não ter estado na amostra: foram 225 escolas em todo o país.

Não vale a pena comparar o seu filho com 462 pontos. Nenhum aluno tem uma pontuação individual do PISA que a família possa consultar, e a média de um país não é o diagnóstico de ninguém.

Não vale a pena o pânico, nem vale o contrário. Vai haver muito ruído sobre estes números nas próximas semanas, e nada disso muda o que acontece em sua casa às nove da noite.

E não vale a pena procurar um culpado. Os professores do meu filho trabalham com as turmas que têm, e 15 pontos numa média nacional não se explicam com uma pessoa nem com um ano.

O que sobra é pequeno, e é o que temos: mais minutos de leitura por semana, perguntas melhores no fim de cada capítulo, e paciência daqui até junho.

Perguntas frequentes

Quando saíram os resultados do PISA 2025 em Portugal?

O relatório nacional, os destaques e a infografia do PISA 2025 foram publicados a 8 de setembro de 2026, na página de resultados nacionais do PISA da EduQA.

Quantos pontos teve Portugal no PISA 2025?

Portugal obteve 462 pontos em leitura, 460 em matemática e 482 em ciências. Face ao ciclo de 2022, são 15 pontos a menos na leitura e 12 a menos na matemática.

Os resultados de ciências também desceram?

A variação em ciências foi de três pontos entre 2022 e 2025, e a OCDE indica que não é estatisticamente significativa. Com 482 pontos, Portugal ficou ao nível da média da OCDE, que também foi de 482.

O PISA avalia a escola do meu filho?

Não. O PISA é um estudo por amostragem com alunos de 15 anos: em Portugal participaram 6945 alunos de 225 escolas. Nenhuma escola e nenhum aluno recebem uma classificação individual do estudo.

Fontes

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